17 de nov de 2011

Vergonha, pra quem gente?

Tardezinha de quinta...depois de um feriadão chuvoso, finalmente o sol começa a sair.
Nunca gostei muito de verão, calor...mas acho que nem eu aguenta ficar tanto tempo vendo só chuva e céu nublado.
Mas, vamos ao que eu vim falar hoje.

Uma das coisas que mais me assustou quando vim morar aqui em São Paulo, foi essa pressa toda das pessoas, toda a correria, todo mundo extressado, de cara feia, sem olhar para o lado.
As pessoas parecem não se importar mais com nada, nem com ninguém. O mundo poderia estar desabando, zumbis zumbizando por aí, alienígenas querendo dominar a terra, que nada, nada tiraria a atenção das pessoas se si mesmas.
E de vez em sempre eu vejo umas coisas que eu fico muito, mas muito injuriada.
Como por exemplo, um dia desses eu estava no meu cantinho em um vagão do metrô, e pensando como algumas pessoas conseguem simplesmente dormir alí, enquanto vão para casa (Isso pra mim é impossível, não importa o quão morta eu esteja), quando notei, do outro lado do vagão, um senhor deficiente visual, que estava indo pro lado contrário de onde estava a porta. E tinham uns caras que estavam parados justamente do lado errado onde o senhor estava indo, e essas pessoas super legais, caridosas e educadas, simplesmente não fizeram nada. O trem estava chegando na estação, o senhorzinho estava do lado contrário da porta, e eles só ficaram olhando. Aliás, todo mundo no vagão ficou só olhando. Aí um dos caras, deve ter pensado: " Hoje vou falar para meus filhos que o pai deles foi um herói."
E ele disse para o senhor: " A porta não fica aqui... " . E continuou parado como antes.

Então fica aonde, ser estúpido!

E o senhor ficou parado lá, perdido. Agora com a informação de que a porta não ficava alí, mas tentando imaginar para que lado ele iria achar a porta de verdade.
Até aí, eu ja tinha atravessado o vagão, e ajudei ele a sair do vagão quando o trem parou. E acabei conhecendo uma senhora muito charmosa que aparentemente era a mulher dele, que o estava esperando na plataforma. E ela me agradeceu com um sorriso que eu carreguei o resto da noite.

Agora, me diz. O que leva as pessoas a simplesmente ignorarem uma situação dessas? Como várias outras que eu já ví por aí...?
Até que me veio a cabeça uma coisa. Vergonha, elas não ajudam por vergonha.
Uma coisa que eu reparei também, nesse dia, foi que algumas pessoas olhavam como se quisessem realmente ajudar. Mas era custoso demais sair da sua zona de conforto.
Até eu, já ví alguém pedindo ajuda alguma vez na vida, mas senti alguma coisa segurando os meus pés onde eles estavam. Era vergonha.
Por que parar o que você está fazendo, sair do seu caminho, para ajudar alguém , é uma coisa tão rara hoje em dia, que quando alguém faz isso, acaba chamando atenção.
As pessoas olham, e algumas até te olham como se você estivesse quebrando algum tabu.
Agora, o por quê de sentir vergonha, eu não sei...Já é algo para ser estudado por esses cientistas antropólogos por aí. Não eu, simples observadora.

Bom, o que importa, é que mesmo assim, eu encontro muitas pessoas realmente gentis por aí...E eu fico tão feliz quando isso acontece, que me dá vontade de abraçá-la e chamar pra tomar um café lá em casa.
Mas isso não deveria ser uma coisa rara, não é mesmo pessoas. Ser legal uns com os outros deveria ser uma coisa natural. Pra todos.

Bom então, já que vocês são umas dessas pessoas gentis e raras, que acabaram lendo meu post, merecem um bônus, neh =)

Eu sei que esse video não tem nada a ver com post, mas é muito bonitinho !
Com vocês, a versão de Take on Me, cantada pela fofíssima Anni B. Sweet.

Kisses !


2 comentários:

Jéssica Caroline disse...

Popo, você tem razão!
Indo um pouco além do "não fazer gentilezas" para o "fazer grosserias", esses dias eu estava indo entrar no trem junto com meu namorado, estávamos de mãos dadas, mas bem juntos, não estávamos atrapalhando ninguém por estar de mãos dadas. E então, uma senhorinha, que não tinha porque ter pressa já que o assento preferencial estava vazio, decidiu que queria passar ENTRE a gente e simplesmente CRAVOU as unhas no meu braço para que eu soltasse a mão do meu namorado. Na hora começou a sangrar, mas ela nem se deu por incomodada e prosseguiu para sentar no banco. Pra que, meu deus? Pra que, se dariam lugar para ela?

Parece que é feio ajudar. Quantas vezes presenciei pessoas ocupando lugares preferenciais com sacola, e tive que pedir para as pessoas retirarem para algum idoso sentar; quantas vezes vi alguém cair na rua e as pessoas passarem reto e não ajudarem a pessoa a recolher essas coisas, quantas vezes vi absurdos que minha mãe puniria com palmada na infância. E nessas vezes que presenciei tais absurdos, ao ajudar não me senti 'altruísta' ou 'boazinha': me parecia que não estava fazendo mais do que a obrigação de um mundo em que convivemos em sociedade.

Eu penso que não conseguirei doutrinar as pessoas para serem mais gentis; conseguirei ensinar somente meus filhos e pessoas mais próximas, e elas me ensinarão também a ser mais gentil.

É o que posso fazer, enquanto as pessoas não compreendem que somos pessoas que precisam de outras pessoas para prosseguir corretamente - e até mesmo de estranhos.

Você é linda, Popo! Tô seguindo seu blog!

Popoh disse...

Ownn, que fofa você Jeh! Obrigada por comentar aqui ^^
Mas é isso mesmo, tem pessoas, como essa velhinha, que acordam e pensam" Hoje eu vou acabar com o dia de alguém!" . Só pode.
E como você disse, não tem como ensinar "boas maneiras" a todo mundo. O que podemos fazer é educar nossos filhos e as pessoas próximas a serem gentis, e ajudar no que puderem a fazer o mundo um lugar menos hostil. E é claro, dar o exemplo. Mostrar para as pessoas que ajudar os outros não é nenhuma coisa do outro mundo não. Que deveria ser um hábito natural das pessoas.

Continue assim minha linda, eu sei que você é uma dessas pessoas que meus olhos brilham quando veem na rua, por que fazem a diferença =)

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